O senador Jaques Wagner deixou o cargo de líder do governo no Senado após alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comunicado ocorreu na quarta-feira, dias depois de o parlamentar ser alvo de buscas na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A ação apura um suposto esquema de favorecimento ao Banco Master. Com a saída, o Palácio do Planalto precisará definir um novo nome para a articulação política na Casa.
Em posicionamento nas redes sociais, o político explicou que a resolução foi tomada durante encontro com o chefe do Executivo. O objetivo da mudança é permitir que ele concentre sua atuação na defesa jurídica e no planejamento eleitoral. No texto, o parlamentar declarou: "Minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e à minha reeleição para o Senado."
Investigação da PF sobre Jaques Wagner e Banco Master
A saída da função acontece em meio às diligências autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Na semana anterior, agentes estiveram na residência do senador em Brasília. O inquérito investiga se houve uso de cargo com foro privilegiado para beneficiar o Banco Master. O documento do STF aponta indícios de que vantagens teriam sido direcionadas ao político por meio de pessoas próximas, citando Augusto Lima e Daniel Vorcaro.
Durante as buscas no endereço, as equipes recolheram celulares, relógios de luxo e 49 mil dólares em espécie. Antes da operação, o político ocupava a liderança governista desde o princípio do atual mandato, sendo responsável por negociar pautas de interesse do Planalto. Ele é considerado um dos aliados mais antigos do presidente, acumulando passagens como governador da Bahia e ministro em gestões anteriores.
Defesa do senador Jaques Wagner no STF
A equipe jurídica do parlamentar protocolou um recurso no Supremo na segunda-feira para solicitar a anulação da decisão das buscas. Os advogados argumentam que a medida partiu de premissas incorretas e negam atuação para beneficiar a instituição financeira. Segundo a defesa, a única movimentação legislativa do senador sobre o assunto visava limitar a cobrança de juros. Os representantes legais declararam que os valores apreendidos possuem origem lícita.