TERESINA – Após quase uma década de espera e uma dor que se arrasta desde a noite de Natal de 2017, a justiça piauiense deu um veredito definitivo sobre um dos episódios mais trágicos da história recente da segurança pública local. O ex-policial militar Aldo Luís Barbosa Dornel foi condenado a uma pena que soma 97 anos de prisão pela morte da menina Emilly Caetano Costa, de apenas 9 anos, durante uma abordagem policial desastrosa.
O Peso da Sentença
A decisão do Tribunal Popular do Júri não puniu apenas o homicídio da criança. A pena de quase um século reflete o conjunto de crimes cometidos naquela madrugada na Zona Leste da capital:
Homicídio qualificado pela morte de Emilly.
Tentativas de homicídio contra os pais da menina, Evandro Costa e Daiane Caetano.
Fraude processual, pelo compartilhamento de informações ou alteração da cena do crime.
Além de Aldo, o cabo Francisco Venício Alves também foi sentenciado, recebendo uma pena de 2 anos e 3 meses de detenção por sua participação no episódio, especificamente relacionada à conduta processual após os disparos.
Memória de uma Noite de Natal Interrompida
O caso Emilly tornou-se um símbolo da necessidade de reforma nos protocolos de abordagem da Polícia Militar. Em 25 de dezembro de 2017, a família Costa voltava para casa quando o carro em que estavam foi alvejado por cinco disparos.
O impacto foi devastador e imediato: Emilly não resistiu aos ferimentos nas costas. O pai, Evandro, além do trauma psicológico, carregou sequelas físicas permanentes, como a perda da audição em um dos ouvidos devido à proximidade dos tiros.
A Voz da Família
Durante o julgamento, o clima foi de intensa emoção. Para os pais, a condenação de Aldo a 97 anos não traz a filha de volta, mas encerra um ciclo de impunidade que pairava sobre o caso. A defesa do ex-PM ainda pode tentar recursos, mas a magnitude da pena envia um recado claro sobre o rigor esperado em casos de abuso de força por agentes do Estado.
O desfecho deste caso reforça o debate sobre o uso de armas de fogo em áreas urbanas e a responsabilidade técnica de quem deveria garantir a proteção, e não o perigo, para os cidadãos.
Embora a pena de 97 anos pareça alta, na prática do Código Penal brasileiro, o tempo máximo de cumprimento é limitado (atualmente 40 anos para crimes novos, mas o caso é de 2017, sob a regra anterior de 30 anos). Portanto, o valor simbólico da sentença é maior que sua aplicação cronológica total.