
BRASÍLIA – O Brasil encerra o mês de março de 2026 sob uma forte nuvem de incerteza no setor energético. A combinação explosiva entre a guerra no Oriente Médio (envolvendo EUA, Israel e Irã) e a defasagem nos preços internos colocou o país em um cenário que especialistas já classificam como a maior crise de combustíveis desde 2018.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) emitiu um alerta grave nesta semana: o Brasil pode enfrentar desabastecimento generalizado a partir da segunda quinzena de abril. O motivo é econômico. Com o preço do petróleo disparando no mercado internacional devido aos ataques no Irã, o valor praticado pela Petrobras no Brasil ficou muito abaixo do exterior (uma defasagem que chega a R$ 2,40 no diesel).
Como a Petrobras não consegue suprir 100% da demanda nacional, o país depende de importadores privados. No entanto, esses importadores reduziram as compras em quase 70%, pois não conseguem comprar caro lá fora e vender barato aqui dentro sem amargar prejuízos milionários.
O clima nas estradas é de tensão. Após ameaças de uma greve nacional para o dia 19 de março, o movimento foi temporariamente suspenso após negociações com o Governo Federal. O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) deve se reunir com lideranças da categoria, como Wallace Landim (Chorão), no próximo dia 25 de março.
Os motoristas reclamam que o preço do Diesel S-10 saltou quase 19% em menos de um mês em algumas regiões, chegando a ser encontrado por R$ 8,50 o litro. "A conta não fecha. Estamos rodando para pagar o combustível", afirma a liderança da Abrava.
Para tentar segurar a inflação, o Governo Federal anunciou um pacote de emergência:
Impostos Zerados: O PIS/Cofins sobre o diesel foi zerado.
Subsídio Bilionário: Foi editada uma Medida Provisória prevendo R$ 10 bilhões em subvenção para produtores e importadores.
Fiscalização: O Ministério de Minas e Energia acionou o Procon em todo o país para coibir preços abusivos nos postos, que estariam subindo os valores mesmo sem novos reajustes oficiais das refinarias.
O Ministério da Fazenda já revisou a projeção da inflação (IPCA) para 2026 para cima, chegando a 3,7%, justamente pelo peso dos transportes. Se o petróleo continuar acima de US$ 100 o barril, o impacto chegará rapidamente às prateleiras dos supermercados em Timon e em todo o país, já que o frete encarece os alimentos.